Quem sou eu

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Teresina, Piauí, Brazil
Ah! Meu coração é mole/ Feito língua de moça./ Prefiro a calma a usar a força,/ Que carne de gado criado em morro é muito é ruim:/ Dura danada.// No bombardeio ergo sempre a bandeira branca,/ Cor que cedo não quero em minha trança,/ Mesmo que digam que é experiência.// Antes mesmo de tantos lamas e Ghandi,/ Foi que se inventou a calma dos monges./ Apesar dos últimos incidentes no Tibete. - Tapuia. Mestre em Letras/Linguística pela UFPI. Professor. Arre(medo) de poeta. Artista (de)plástico nas horas vá(ri/g)as. Aquele que nasceu no rio.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sou verdadeiro no que sinto.
O resto até que OMINTO.

Teresina, 30 de outubro de 2010.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Poesinha de acalanto

Muito cuidado com os tímpanos, ora.
Que o silêncio de uma mulher dormindo
Nua
Abafa qualquer barulho lá fora.

Teresina, 25 de outubro de 2010.

domingo, 17 de outubro de 2010


Oxe,
Se tu não gostas de ler muito,
Leminski.

Teresina, 10 de outubro de 2010.

sábado, 11 de setembro de 2010

MALICIOSA

Sal e cio,
Má e ciosa:
Só o cio.

Mas se ousa
Sacio!

Codó, 08 de setembro de 2010.

DAS NOVAS ARMAS

Moça, olhe se não é o vento vindo novamente...
(O que nos deixa exangue!)
É que em pós-modernidade como essa
Não me admira o Cupido largar arco e flecha
Para usar bumerangue.

Codó, 08 de setembro de 2010.
Ora, moço, não se admire com a vida.
Que ela é um joão-amava-tereza...
Se hoje você bem preda
Amanhã será a presa.

Codó, 16 de junho de 2010.

CANTAR D’AMOR ÀS AVESSAS

Fiz um dia uma coleção de fotos tuas
– Nada das mais belas –
Peguei somente aquelas
Em que de beleza estavas nuas.

Bh, 2009.

RUFLAR

À Eré

Feliz seja, até por instinto!
Pelo teu par de asas novo.
Quão triste não será o pinto
Que não pôde sair do ovo?

Codó, 09 de abril de 2010.

ATALHOS

Ora, só pega desvio
Quem já sabe o caminho.
Olhe, então, o que se viu
Com a pobre Chapeuzinho!

Codó, 12 de abril de 2010.

notícia que não passou do jornal

nego parente, pescador de defunto do parnaíba
bebeu
e bagunçou
e dançou até com as casadas
num dia de frejo lá na cajaíba
depois de dormir como se fosse um rei gordo
mas saiu foi com gertrude
que nem apareceu na festa
só não foi foi banhar em açude
porque já leu bandeira
mesmo dizendo que não presta
aí deixou a estoriazinha besta, meu deus

Bh, 09 de novembro de 2009.
Entrou. Nada, nem ninguém.
No solo deitada.
Então despencou também.

Bh, 11 de novembro de 2009.
Cheirou, cheirou. Tudo breu.
Então disparou.
E o pobrezinho nem roeu.

Bh, 11 de novembro de 2009.
Um pouco de areia no bolso
Resquício de um sonho na praia.
O vento soprando inda ouço
E a felicidade dizendo não saia.

Cúmplice, o vento erguia tua saia,
E meus dedos violavam teu biquíni
No calor do teu corpo e da praia,
Quando o desejo em tudo se exprime.

Um corpo ao outro se comprime:
Eram o sal, a água e o calor
Convidando-nos ao melhor do crime.

Então à noite fugimos pela rua,
Eu sem roupa, você sem saber da sua
E sob a lua, na areia, o amor.

Ce/Bh, fevereiro de 2004 – 13 de novembro de 2009.

ATEURISO

E o teu riso, moça,
Leve feito pena,
Capaz 'té que possa
Bem fazer poema.

Codó, 11/04/10.

DECURSO POLÍTICO

Do palanque:
- Investimento...
No gabinete:
- Invertimento.

Codó, 15 de abril de 2010.
Quem muito usa poesia pra dizer de moças
Dá normalmente às palavras outras forças.
Delas – noutros pontos estridentes –
Soam costumeiramente bastante roucas.

Pensem como se sussurradas fossem,
Juntinho mesmo à orelha!

Outras, que predam, que têm garras e dentes aferrados,
Saem – à caça? – mansas, silentes, feito ovelha.

Como grito em rochedo de algodão,
Às nuvens, vão num vão.
Vão não vão.
Vão não vêm.
Vão... Nuvem.
E quando voltam dormentes, dormentes estão!

Codó, 23 de abril de 2010.

sábado, 7 de agosto de 2010

Namorico do vento com uma samambaia

o vento soprava
suas cordas vocais

enquanto tocava
a planta sambambava

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Perversão

gosto de ver-te
de vestido
divertido
desvertir-te

segunda-feira, 7 de junho de 2010

SOBRE O TAMANHO DAS COISAS

Aparentemente – apenas aparentemente mesmo! – tudo cabe num bolso. Um boletim com notas reprovativas cabe facilmente num bolso de estudante. Mas aí o cabimento se explica mais pela pequenez das médias que pelo tamanho do papel. Porque, quando a mãe vê, diz, por outro lado, que não tem cabimento de jeito nenhum... Dois pares de chinelos antes do passeio na areia também cabem, se encaixam perfeitamente num bolso; parece até que estão namorando. E por isso mesmo cabem.
Mas algo, um certo dia, me pareceu incabível: um molho de chaves pendurado no cós do calção de uma criança. O menino, sendo criança, brincava com terra, graças a Deus!, porque brincar com terra é algo que seus dias comporta, é cabível à sua idade, é inclusive um direito que, na Lei, assiste a toda criança. Podem conferir. E a infância termina sendo tão curta que nela quase não cabem tantas brincadeiras...
Por isso a minha única surpresa foi terem deixado aquele menino brincar com tais chaves, afinal elas poderiam se perder na areia, na lama. Até que me explicaram que nenhuma delas tinha serventia. É que aquele meninozinho (não por acaso um menino), com seus quatro, cinco anos, achava bonito andar com chaves penduras na alça do calção. Daí a avozinha pegou umas chaves aposentadas, fez delas um molho e deu à criança, que agora, na maior felicidade do mundo, ostentava seu molho de chaves, que jamais caberia naquele bolsinho sem fundo! Aí foi que vi que aquelas chaves serviam sim. E o quanto uma chave vale!
Ora, se um maço de dinheiro que não coube na cueca nem nas meias cabe, e bem, num bolso. É bem capaz que ali caiba um quase-tudo. Se até o Ronaldinho já coube num bolso. Quem não soube? Nunca ouviram alguém dizer que o jogador tal-e-qual colocou o Fenômeno no bolso? Um Fenômeno no bolso!
Mas isso é claramente crível, já que coisas que não tem nem cabimento do nada cabem em algum lugar. Uma reza pra comemorar falcatruas políticas, que talvez não caiba nem sob nem sobre o Céu, cabe num gabinete político. Ih, este exemplo me foi péssimo, afinal de contas, em política tudo parece caber quase que perfeitamente debaixo dos panos. São os camelos que passam pelo furo da agulha. Explique-se. Enquanto isso o preço do feijão, por exemplo, independentemente do tamanho da fome (gula?), não cabe no tamanho do salário-mínimo. Oxe, se não coube nem no poema do Gullar. Do mesmo modo, já perceberam que um jaleco branco ou um vademecum (este que até nega a expressão latina) quase nunca cabem numa mochila?
Ah, meu Deus, tantas são as coisas que existem sem ter tamanho! Quantas vezes o amor nos faz acreditar que o coração não cabe mais no peito? Que a ira nos obriga a constatar que a saliva não está cabendo na garganta? Mas o que agora, de repente, passa a me intrigar mesmo, a partir da “brincadeira” daquela criancinha, é que, se tanta coisa cabe num bolso (e isso parece óbvio!), porque não cabe num bolso a chave dum automóvel?

Nilson Costa Filho
Codó, 02 de junho de 2010.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

CANÇÃO DAS EX-ILHAS


minha terra tinha terra
onde hoje só tem mar
as aves da minha terra
não têm mais onde pousar

(em processo)

sábado, 1 de maio de 2010

DESCULPAS PRA FAZER POEMA

A um poeta não falta desculpa para fazer poema!
Vejam então se não é no mínimo engraçado:
Mal lhe cai na mão de ideia um mau punhado
E lá vai ele marcar, nervoso, o papel com a pena.

Sim, pode ser sim o riso de uma morena!...
Mas também pode ser um doido na praça.
Que poeta é feito um bobalhão em cena,
Que em tudo na vida quer meter uma graça.

Vê, onde tem uma coisa, no mínimo duas...
E olhe lá! Que vê coisa também onde não tem.
Louco? Deus sabe! Más maneiras são as suas!

Mais produz se uma moça lhe faz um bem...
Mas também se tem no peito um “vos vi mal”.
Poeta, olhai bem, ou inda irá ao hospicial.

Codó, 30 de abril de 2010.

BOCA DA NOITE NA BEIRA D'ÁGUA


Voa e volta a gaivota.
Hoje vai... Amanhã volta...

Vai, ave, vai voando!

Seu voo vai desenhando e apagando
Um vê
(Que a gente vê e desvê!)
No céu.

Codó, 1º de maio de 2010.

QUEM FOI QUE TE PINTOU


Quem é que não sabe das borboletas
E que todas vem do ovo branquinhas?
Depois do Céu é que saem umas pretas,
Amarelas, cheias de tintas, de linhas...

Suas cores? Tudo pintura dos anjos.
É! Daqueles bichinhos tão capetas!
Daí que vemos umas delas violetas
E outras já com tantos novos arranjos.

Da fábrica-Céu nenhuma vem crua.
E é só por isso mesmo que na rua
Já as encontramos por demais faceiras.

Que me dizes? Que disso sabia nada?
Se até a lagarta que vem aí pintada
É obra da dita Velha Cachimbeira!

Codó, 1º de maio de 2010.

OLHOS DE MARINA E VAIDADE


Moça, seus olhos continuam verdes a gosto,
Posto alga submarina que ao mar empresta cor.
As bochechas, ainda maçãs rosadas no rosto...
Seus lábios conservam ainda o mesmo rubor...

Não lhe diz por aí o olhar de tantos
Quantos lhe veem que é demais bela?!
Que tem uma beleza sem mantos,
Que aos olhos claramente se revela?!

Mas, curiosa, vai e mais vai ao espelho ver-se
Com tanta frequência como a querer contestar
As evidentes belezas de um rosto desse!

Para que cuidados desnecessários tantos?
Deixa que lhe digo todos os seus encantos!
Porquanto, moça, não precisa se preocupar.

Codó, 30 de abril de 2010.

A UMA MOÇA MESTIÇA

Às vezes tua imagem vem até mim.
E eu te vejo passear, fugaz, vagamente.
Consubstancia-te e então somes. Assim
Como quando estiveste em minha frente.

Uma só vez olho a olho! E guardo-te! Onde?
Os olhos com um risco não sei de quê...
Talvez indígena. E a boca o que esconde?
O ri (vi belo!) de uma mulata de Debret?...

É assim, com certo esforço, que te vejo.
Mal consigo te edificar em minha mente.
Mas te conservo plenamente em meu desejo.

E se, naquele plano, pra te recriar faço forças
Sei que se te vejo entre outras mil moças
Sem engano, te identificarei certamente.

Codó, 29 de abril de 2010.

terça-feira, 20 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CAUSA MORTIS

Vou viver algumas passagens de ano,
Nada fora da média brasileiro-nordestina,
Enquanto fujo de qualquer engano
E a vida, caprichosa, me ensina.

Até que um dia a hereditariedade,
Transportadora da minha causa-morte,
Domine o ar que me invade
E como planta pelo tronco me corte.

E sem o meu consentimento
Me apresentará ao câncer,
Quem conhecer eu não queria,

E num instante desatento
Seus tentáculos me alcancem
E tirem minha poesia.


Teresina, 21 de novembro de 2004.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

QUEIXAS POR UM CUPIDO INCOMPETENTE

Infeliz de mim, amado inconscientemente,
Que distraído, talvez noutros encantos,
Nunca me dei conta, ai!, do quanto
Teria sido contigo bem mais contente.

Jamais quis tanto ser um adolescente...
Não para viver o que já passou
Mas para te trazer ao meu presente
E fazer de ti, Presente, o meu presente de amor.

Ziguezagueei ante tua flecha, sem querer?
Tu foste feita uma má arqueira, talvez?
Não sei que mal maior o Cupido nos fez!

Sei é que se fosse possível voltar ao passado
E tivesse eu tido a chance de saber
Ainda hoje estaria ao teu lado.

Codó, 04/04/2010.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Adoro-te com todo o respeito e mãos na bunda,
Com a língua no mamilo incendiante
E com mordiscadas na pontinha da orelha;
Além dos passeios olfativos por teu corpo,

Além das tuas retinas, que busco transpor
Com meus olhos curiosos de voyeur.
Sou andarilho cego que vaga por tuas curvas
De narinas cravadas em teus aromas.

Adoro-te com o desejo que não se farta.
E, mesmo com todas as tuas armadilhas,
Incauto, adoro-te feito criança distraída.

Adoro-te, enfim, com toda a superfície do meu corpo
Ao ver-te beijar-me de lábios quedantes
E de tórax arfante enquanto me tens.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Revoada

Teus olhos pousaram nos meus
Feito ave sedenta e à procura de sombra
A qual encontraram na floresta dos meus olhos
E no lago que a ela circunda.

E como era suave o teu ver!
Ah! Mas dentro de mim era um tumulto.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Estas-são

Eles passarão. Eu passarinho! (Mario Quintana)


Se for Outono de amor,
Ou tono de decepção...
Os que triste me quiserem
Primavera me Verão!
Se me querem no Inferno,
Inverno é minh’estação!